>> vergonha nacional >> Impunidade >> impunidadE I >> impunidadE II >> VOTO CONSCIENTE >>> lEIA, PARTICIPE E DIVULGUE

Agradeço as oportunas e coerentes intervenções dos comentaristas criticando o proselitismo irresponsável do globoritarismo apoiado pela mídia amestrada banalizando as Instituições e o Poder do Estado para a pratica sistemática de crimes. Os brasileiros de bem que pensam com suas próprias cabeças ja constataram que vivemos uma crise moral sem paralelo na historia que esgarça as Instituições pois os governantes não se posicionam na defesa da Lei e das Instituições gerando uma temerária INSEGURANÇA JURÍDICA. É DEVER de todo brasileiro de bem não se calar e bradar Levanta Brasil! Cidadania-Soberania-Moralidade

20.9.09

PALESTRA DO GENERAL HELENO, NO CÍRCOLO ITALIANO...

Meus Camaradas,
Alguns de vocês pediram-me para relatar sobre a palestra do General Heleno, na manhã de hoje, no Círcolo Italiano, no edifício Itália, promovido pelas potências maçônicas de São Paulo. O auditório estava repleto e seletivo. A grande maioria dos presentes foi composta por líderes maçons, alguns Oficiais da Reserva, o Delegado da ADESG/SP.
General Heleno, em uniforme de campanha, quebrou o protocolo. Diante dos aplausos que não terminaram, ele disse que poderia ir embora, por nada mais a ter que falar.
General Heleno disse que o encontro não seria uma palestra mas uma conversa, tipo bate-papo; que assumia para si toda a responsabilidade pelo que iria dizer; que não faria críticas às autoridades, sim às Instituições; que, sua fala não teria caráter político. A bem da verdade, o general deu a entender que permanecerá na ativa, no período que lhe resta - um ano e três meses, totalmente dedicados ao Exército. Esta foi uma elegante resposta para neutralizar rumores sobre sua candidatura à Presidência da República.
Sobre a região da Amazônia, passou aos presentes uma visão atual dos 11.000 Km de fronteira, com seus antagonismos e óbices, inerentes às subregiões. Falou sobre o esforço do Exército e o cenário futuro , mergulhado no improviso das nações, sob a égide de que "tudo pode acontecer".
Ao final, cumprimentei o General Heleno, sempre atencioso e cortês. Imediatamente, após minha saída, fui solitariamente tomar meu café expresso e me pus a pensar:
 
1. General Heleno sabe perfeitamente que sua candidatura enfrentaria forte e terrível fogo de barragem dos inimigos, atuais detentores do Poder que têm dinheiro e o Estado aparelhado, sob controle.
2. As elites empresariais e financeiras dão mostras de ampla satisfação e regozijo, em face do atendimento dos seus interesses.
3. A massa (povo) está inerte, porque dopada com as benesses do bolsa família, acompanhada de futebol, carnaval e muito pagode.
4. General Heleno, no Poder, seria o nosso Charles De Gaule que, praticamente foi tirado de sua casa para salvar a França. General Heleno tem caráter, honra e honestidade. É militar de puro sangue que não vende sua alma e não conjuga o verbo trair.
5. Concluo que, neste período de incertezas, é estratégico tê-lo no Exército porque, este velho analista, não esquece de duas importantes frases:
  • " Nada é o que parece "
  • " Tudo pode acontecer, como nada pode acontecer"
 
MARCIO MENDES GONÇALVES
ESG-90
 
BRASIL ACIMA DE TUDO !
SELVA !
SP, 19/09/09

 



16.9.09

GUERREIROS DAS SELVAS

De todas as excursões que já fiz (turísticas, pastorais ou de estudos), a que fiz para a região amazônica, ocupa a posição primordial. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, convidou um grupo de Bispos da CNBB, a visitar cidades e regiões, das quais mal eu ouvira falar. Trata-se dos Estados da Amazônia, Roraima e Rondônia. O Ministério da Defesa colocou à disposição um avião, uma pequena equipe de especialistas, e as bases militares das forças armadas nos postos avançados de fronteira. É claro que as intenções do Ministro foram de divulgação dos trabalhos realizados, com muita eficiência, pelos poderes públicos, nesta região realmente imensa, de florestas e de rios a perder de vista.

Reconheço, antes de tudo, que mudei para melhor, minhas avaliações sobre o exército, a marinha e a aeronáutica. Nunca fui detrator das forças armadas. Mas tinha minha restrições severas contra seus métodos, sobretudo a partir do segundo momento da nossa Revolução Militar. Sempre estive convicto - e continuo nessa posição - que o começo da Revolução foi certo. Depois, a permanência militar no poder foi um erro, sobretudo o apelo não muito raro, a sevícias e perseguições. Essas atitudes equivocadas nasceram de outras escolas militares, que não a do Duque de Caxias, um pacificador por excelência. O que vi na Amazônia, confirma que o Exército Brasileiro é das instituições mais sérias, autênticas e beneméritas do país. Reina nas suas fileiras uma disciplina, que nos revela sua seriedade, seu patriotismo e sua eficiência em garantir a nossa soberania nas fronteiras. As lições do Patrono do Exército foram retomadas com vigor. Acompanharam-nos oficias do primeiro escalão, mostrando-nos os postos militares das fronteiras mais avançadas (são várias dezenas).

Admirei as esposas corajosas desses militares que, por amor à pátria, acompanharam seus maridos, para defender a nossa soberania nacional. A grande maioria desses soldados, porém, são indígenas dos próprios locais, muito bem treinados. Nesta situação eles não se consideram  yanomamis, tucanos, ou de outras etnias. Eles se consideram simplesmente brasileiros. Saí daquelas selvas convencido de que não aparecerá nenhum aventureiro, e mesmo nenhum país, que queira mexer naquilo que já tem dono. Os guerreiros das selvas, pela sua capacidade e determinação são a garantia.

    Dom Aloísio Roque Oppermann é arcebispo metropolitano de Uberaba

MG > Levanta Brasil  - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (Parágrafo único Art. 1º)




11.9.09

Teoria e prática do poder

ARTIGO PUBLICADO NA VEJA EM 1970

 Fonte: http://veja. abril.com. br/arquivo_ veja/capa_ 01041970. shtml

 1º de abril de 1970

 

Os Militares

Teoria e prática do poder

Há seis anos caía o último governo civil do país. Ameaçadas pela desagregação do poder em todos os escalões administrativos, as Forças Armadas tiveram de intervir. Mas a intervenção militar de março de 1964 tinha origens preventivas: os militares pretendiam retirar-se a curto prazo do centro dos acontecimentos. O Alto Comando Revolucionário chegou a pensar em enviar o texto do Ato Institucional nº 1 ao Congresso, para que fosse homologado. Foi um civil, Francisco Campos, quem os convenceu de que a Revolução legitimava o Parlamento e, portanto, não caberia ao Parlamento legitimar a Revolução.

Em seis anos, o movimento revolucionário enfrentou quatro grandes crises políticas e fechou o Congresso duas vezes. A cada crise a Revolução sentia como eram escorregadios os princípios, as boas intenções e as raízes ideológicas dos políticos. Foi assim que a experiência deu aos militares a certeza de que eles determinavam a vitória do movimento revolucionário de março e de que só eles poderiam assegurar a continuidade do próprio processo.

Esses homens saídos dos quartéis destrincharam aos poucos as sutis malhas da crise brasileira. Para enfrentá-la dispunham da formação idealista e combativa que receberam nas escolas e da unidade de objetivos que cultivaram na vida da tropa. Vieram em sua maioria de origens humildes e foram aos poucos assumindo os mais importantes postos da administração pública. Entre o apego às origens e o fascínio pela pompa que revestia o poder, preferiram desmistificar a importância dos cargos, adaptando-os aos métodos administrativos que adotavam nos quartéis. Enxergaram os vícios e as debilidades que enfraqueciam os governos civis e, enquanto se aprofundavam nos problemas do país, passaram a agir como um grande Estado-Maior. Em seis anos de intimidade com o poder, mudaram também algumas de suas atitudes. O militar que em 1964 lutava contra a subversão e a corrupção, hoje, sem transigir com nenhum de seus antigos inimigos, está empenhado ao mesmo tempo na construção de uma nova estrutura política, social e econômica para o país. Seis anos foi o tempo necessário para o afastamento dos políticos que apoiavam a Revolução - como se ela fosse mais um governo de coligação partidária. Os militares mudaram o país e a Revolução transformou-os em uma força qualitativamente nova. Eles continuam a ser os fiadores do movimento de 1964, mas apanharam a luva do desafio pelo desenvolvimento nacional.

Quem são estes homens? Como se formaram? Que querem? Como agem?

  A CHEGADA E OS USOS DO NOVO CHEFE: O MILITAR VAI AO PODER

De repente, muita coisa mudou na repartição. Nenhum dos velhos funcionários conhece o novo chefe - que chega sempre cedo. Ele é desconhecido mesmo para muitos freqüentadores do gabinete, que tinham a intrigante capacidade de serem amigos de todos os chefes em todos os governos. Trouxe consigo um pequeno grupo de auxiliares tão desconhecidos quanto ele. Cobra tarefas e não delega poder de decisão. Marca audiências com horários rigorosos e apertados para gente selecionada - e o tempo economizado, gasta-o em revisões de trabalho com a sua equipe. Diz a telefonista - e a frase é repetida com espanto pelos corredores: "Ele liga pouco para fora". Que estranho ser é o novo chefe, diz um funcionário, mais afeito dos homens: "É um militar. São todos assim".

Cada vez com mais freqüência, nos mais diversos níveis da administração pública, estão sendo nomeados oficiais das Forças Armadas, em sua maioria da reserva. Na Paraíba, a Universidade Federal tem um capitão-médico como reitor. A Embratel - Empresa Brasileira de Telecomunicações - é presidida por um general desde sua fundação e foi organizada por um pequeno núcleo de oficiais. Na Guanabara, o secretário de Serviços Públicos é um general. No Ceará, um coronel ocupa a Secretaria da Fazenda e um major o Departamento de Trânsito.

Dos sessenta cargos mais importantes da administração pública, incluindo desde a presidência e a vice-presidência até o Lóide e a Rede Ferroviária Federal, 28 são ocupados por oficiais superiores das Forças Armadas. Esta tendência, comum na administração brasileira, sofreu nos últimos anos uma mudança sensível de qualidade. O militar é escolhido para o posto por indicação de colegas e condicionando as velhas práticas administrativas a conceitos e métodos militares. Além disso, sua linha de comunicação não é a tradicional conversa com políticos, mas quase sempre uma troca de informações com colegas de farda, ou até mesmo de turma, que estão em outros postos.

O ESTILO É O MILITAR - O General Gastão Pereira dos Santos, 56 anos,  diretor do Instituto Sul-Rio-Grandense de Carnes, na semana passada enviou um recorte de jornal, criticando o governo, ao seu amigo General João Batista Figueiredo, chefe da Casa Militar da Presidência da República. Recebeu a seguinte resposta: "Recebi seu bilhete. É também minha opinião". O General Gastão age como militar na queixa e na discrição. Recusa-se a revelar que tipo de recorte enviou ao colega.

A ação dos militares em cargos técnicos deu resultados surpreendentes em muitos casos. O General Euler Bentes Monteiro, que ocupou a Superintendência da Sudene de 1967 a 1968, levou para o posto a preocupação dos militares na execução de projetos concretos. Seu braço direito, o Coronel Stanley Fortes Batista, marcou de tal forma sua passagem na administração, que agora está-se preparando para assumir o governo do Piauí.
Outro coronel, César Calls Filho, depois de dirigir as obras de construção da Usina de Boa Esperança, no Maranhão, está indicado para o governo do Ceará. Mora em casa alugada, não tira férias desde 1958 e só janta em restaurante aos domingos, em companhia de toda a família. (No Ceará ele encontrará 35 oficiais ocupando postos de destaque no governo.)

MAIS UNIVERSIDADES - Para o General Idálio Sardemberg, colega de turma do Presidente Médici, a participação de militares na administração "é lucrativa para todos; para o Exército, pelo estágio de seus oficiais na vida pública, onde eles adquirem outras perspectivas dos problemas gerais do país, e para o Brasil, porque eles suprem uma carência bastante sensível, levando ainda a estes postos a disciplina e a honestidade profissional características de sua formação. À medida que forem crescendo as universidades e o elemento civil melhorar em quantidade e qualidade, pela concorrência, esta ascendência do militar tende a se reduzir: é uma preocupação do próprio oficial".

Em alguns setores, os militares atingiram postos de direção graças ao pioneirismo de seus cursos especializados. O Exército sempre se manteve atualizado em assuntos de eletrônica e siderurgia. Para o Ministério das Comunicações, o Presidente Garrastazu Médici destacou um coronel, Higino Corsetti, considerado um profundo especialista no assunto. Por outro lado, dos sete presidentes que a Companhia Siderúrgica Nacional teve até hoje, quatro foram militares.

O General Américo da Silva, que ocupa atualmente a presidência da empresa, vê no administrador militar, "por formação, um homem mais disciplinado e inflexível que o civil, sem que isso signifique nenhuma superioridade intrínseca da carreira. Tenho dois filhos civis e os respeito muito".

OS ÍNDICES FELIZES - Enquanto alguns só vão para cargos civis quando deixam as Forças Armadas, outros fazem o percurso entre o quartel e a administração várias vezes. Talvez, de todos eles, o exemplo mais completo seja o do aspirante de 1926 (Turma Laguna e Dourados, que formou o Presidente Médici), Juracy Montenegro Magalhães. Em 1930 comandou as forças revolucionárias na Paraíba. Em 1931 tornou-se interventor federal na Bahia, onde voltou a assumir o governo em 1935 e 1959. Presidiu a Petrobrás e a Companhia Vale do Rio Doce. Foi um dos fundadores da UDN, embaixador em Washington, ministro das Relações Exteriores e da Justiça. Hoje, Juracy Magalhães está dedicado à iniciativa privada, como diretor no grupo Monteiro Aranha. "Tenho um bom índice da minha felicidade como administrador e empresário. Sou dos primeiros acionistas de algumas companhias que chegaram ao rol das maiores empresas do país. Fui político enquanto esta condição honrava uma pessoa e deixei a política sem saudade e sem nenhum ressentimento."

Como empresário, Juracy Magalhães é considerado um homem muito bem sucedido. Todavia, pouquíssimos militares conseguem a felicidade dos índices obtidos por ele. Um general de Exército, depois de computar o soldo, as gratificações de tempo de serviço (quarenta anos), representação e moradia, pode receber por volta de 4.000 cruzeiros novos. Um capitão raramente ultrapassa os 2.000. Esses vencimentos sempre inferiores aos de profissionais liberais, num cálculo comparativo, encerram uma característica original: o cadete, com menos de vinte anos, ao entrar na Academia Militar, sabe que, haja o que houver, nunca chegará a ser um homem abastado. A viagem à Europa só virá em missão e será considerada como um prêmio; dificilmente poderá sair de suas economias.

A VOLTA DO SOLDADO - O General Canrobert Pereira da Costa, um dos militares da década de 50 que mais influenciou a oficialidade, morreu em sua casa do Méier, subúrbio do Rio. Os marechais Castelo Branco e Mascarenhas de Morais deixaram para a família apenas os apartamentos onde viviam e poucas ações.

Os apertos financeiros poderiam ser um importante argumento para convencer o oficial a uma rápida transferência para a administração civil, mais bem paga e flexível. Contudo, vários militares preferem deixar os importantes cargos que ocupam a reverter para a reserva, depois de passados os dois anos de afastamento permitido da tropa. O General Afonso de Albuquerque Lima deixou o Ministério do Interior, o General Arthur Candal da Fonseca abandonou a presidência da Petrobrás - a maior empresa do país - e o Coronel Euler Bentes demitiu-se da Sudene.

 

A PACIENTE FORMAÇÃO DO SOLDADO EDUCADO PARA SERVIR

"O dever primordial do chefe é o cumprimento da missão que lhe foi atribuída. Tudo o mais, mesmo o bem-estar dos seus homens, fica subordinado a isso." Na carreira militar, onde, com exceção dos praças, todos são chefes e todos são subordinados, esse princípio de chefia e mais dez outros enumerados pelo Manual de Campanha do Exército podem fornecer a chave para explicar a formação do militar, seu comportamento no poder nos últimos seis anos de governos revolucionários e a diferença entre os militares e a classe política tradicional na condução do poder político.

A diferença começa na base. Ladeando o Portão Monumental da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, há dois portões menores que somente se abrem duas vezes por ano: pelo primeiro entram os novos alunos, com seus uniformes dos colégios militares e da Escola Preparatória de Campinas (SP) ou com roupas civis; e pelo outro saem, no fim de cada ano, os novos aspirantes a oficial do Exército. Para percorrer os 50 metros que separam os dois portões, o cadete gasta quatro anos - durante os quais ele será treinado fisicamente e educado intelectualmente nos princípios que inspiram o lema da AMAN, inscritos no pátio principal da Academia: "Cadetes: ides comandar; aprendei a obedecer".

SER MILITAR - É na Academia Militar, misto de universidade e de escola técnica, que o cadete do Exército planta as bases de toda a sua vida futura. "Ser militar", diz um folheto da Academia, "é estar imbuído da verdadeira necessidade do cumprimento da missão, por mais árdua que se lhe afigure e pouca influência traga para lhe exaltar os méritos". A carreira militar é apresentada ao cadete como uma atividade de sacrifício, de sobriedade pessoal e de patriotismo. "As ações do verdadeiro militar", continua o documento, "não objetivam obter vantagens ou vencer questões; não devem ser ditadas por oportunismo, nem podem ser poluídas pela descrença, traços de inferioridade incompatíveis com a nobreza de sua missão."

Durante seus quatro anos na AMAN, o cadete vai se familiarizar com um vocabulário onde as expressões "dever", "missão", "desinteresse" e "coesão" são freqüentes. As ciências matemáticas que ele aprende nos dois primeiros anos de Academia visam, segundo o seu comandante, General Meira Matos, a "desenvolver seu raciocínio rápido, porque um chefe precisa tomar decisões também rápidas e criteriosas". Um programa intenso de educação física, que inclui ginástica diária e competições esportivas, prepara os cadetes para desempenhar missões perigosas e, ao mesmo tempo, desenvolve entre eles a solidariedade - que se chama, na linguagem militar, “espírito de corpo”. "Quando o espírito de corpo é elevado", diz o Manual da Chefia, “as realizações coletivas obscurecem as individuais. Em tais circunstâncias, as insatisfações de alguns desaparecem diante do predomínio do espírito do conjunto”.

A RAZÃO DA DISCIPLINA - Coesão, disciplina, respeito à hierarquia, desambição, preparo físico e intelectual: sobre pilares assenta-se a educação do oficial do Exército. A disciplina - viga mestra de toda organização militar - é defendida como uma necessidade vital para todos.. "Para convencer o homem da necessidade da disciplina", ensina o Manual, "nada melhor do que apelar para a sua razão; nos poucos casos em que o apelo falha, a punição oportuna pode corrigir o recalcitrante e fazê-lo sentir essa necessidade."

A disciplina comanda toda a formação do oficial. Os cadetes cumprem rigorosamente os horários, as tarefas do treinamento técnico-profissional (estudo das armas e ações de guerra convencional e de guerrilhas) e os exercícios intelectuais. Seu ensino não é, porém, ascético: a Academia tem um amplo cinema, quatro campos de futebol, quadras de tênis e de basquete, pistas para a prática de hipismo e uma piscina que era a maior da América do Sul até que o Vasco da Gama construiu uma maior, no Rio. O esporte, em todo o caso, não é encarado apenas como uma diversão; ele é considerado também uma tarefa que deve ser cumprida.

AS RAZÕES DO CADETE - A vida relativamente dura de um cadete, comparada à de um jovem da mesma idade no meio civil, não desestimula os civis a procurarem a carreira militar? Até 1966, a AMAN sofria de perda crescente de entusiasmo por parte de candidatos à matrícula. A partir de 1967, com uma propaganda desenvolvida pela Academia e ajudada pela portaria que permite o ingresso sem concurso dos alunos classificados nos três primeiros lugares nos cursos colegiais, a situação se alterou. Hoje, com 1.379 cadetes (número recorde), a Academia pensa ter superado o problema e, segundo o General Meira Matos, poderá dispensar a portada no próximo ano. "Nós tivemos agora novecentos candidatos civis disputando sessenta vagas", explicou o general. O rigor da carreira militar e sua desvantagem financeira comparada com as atividades privadas não preocupam os cadetes. Eles procuram o Exército por outras razões.. "O primeiro motivo de meu interesse pela carreira militar foi a evidência em que ficou o Exército nos últimos tempos. Em segundo lugar, a propaganda chamou a minha atenção para as vantagens do ensino da Academia, explica a VEJA o cadete Geraldo Soares Silvino, 22 anos, quartanista da Arma de Engenharia e há três anos colocado em primeiro lugar na AMAN.

DE ASPIRANTE A GENERAL - Ao deixar a Academia como aspirante a oficial, o jovem que cruza de volta o pequeno portão lateral da AMAN já cumpriu a maior parte da formação básica do oficial. Daí para a frente haverá apenas uma complementação, ou nas escolas especializadas do Exército (Comunicações, Educação Física, etc.), ou nas escolas de aperfeiçoamento - Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO), Escola de Comando e Estado-Maior (ECEME) e Escola Superior de Guerra. Quando chega à ECEME - estágio obrigatório para a ascensão ao generalato -, o oficial já assimilou todo o Manual de Chefia, o Código de Honra e a doutrina militar. Agora, nos cursos da ECEME (dois anos tanto para Chefia e Estado-Maior de Serviços como para Comando e Estado-Maior), o oficial desenvolve sua capacidade de concatenar idéias, consolida suas convicções cívico-democráticas, aprende a ter de agir e decidir sob tensão, cultiva padrões morais elevados (qualquer deslize anterior veta automaticamente seu ingresso na Escola), procura incentivar o espírito de decisão e desenvolver "a afirmação da vontade e a consciência da responsabilidade", além de estudar a doutrina militar em vigor e as suas tendências de evolução.. Essa doutrina tem sido alterada ao longo das últimas décadas.

O MUNDO VAI FALAR - Até a Segunda Guerra Mundial predominava a influência francesa, que conferia ao Exército o papel de "grande mudo" dos acontecimentos políticos e provia o oficial de cultura humanística derivada do positivismo. Sua estratégia era voltada para as hipóteses de guerra contra os inimigos do século passado: Paraguai, Uruguai e Argentina. Após a Segunda Guerra, com a influência americana, a doutrina militar ensinada na AMAN (que foi fundada em 1944) e na ECEME deu ênfase ao estudo das questões sociais e políticas e aos novos conceitos de estratégia, que consideravam em primeiro lugar o choque ideológico entre a democracia e o comunismo, com hipóteses de guerras extracontinentais. Foi o agravamento das tensões sociais a partir da renúncia de Jânio Quadros que deu ênfase ao estudo da estratégia de luta contra a guerra revolucionária interna.

O que estudam os oficiais da ECEME? Exemplo de uma questão proposta neste ano a seiscentos candidatos que disputavam as cem vagas da Escola: "Comparar o processo de emancipação das nações hispano-americanas com o do Brasil". Ou: "Indicar as causas que favorecem a Guerra Revolucionária na Indochina francesa e na Grécia e apontar as análogas (tempo: trinta minutos; espaço: três páginas)". Para enfrentar os rigores das provas, os oficiais recebem da ECEME uma extensa bibliografia que indica - como subsídios, sem endossar qualquer conclusão - obras de H.G. Wells, Gustavo Barroso e Caio Prado Jr., entre outros.

A NOVA TAREFA - Ao concluir a ECEME, o oficial está apto a chegar ao generalato. Maior do que isso, porém, é o seu preparo intelectual nas doutrinas de segurança nacional e desenvolvimento, em comparação com a classe política em geral. Após quatro anos de AMAN, dois ou três da ESAO e ECEME e mais o tempo em que serve normalmente na tropa, o oficial do Exército (bem como da Marinha e da Aeronáutica) está profundamente tomado pelo sentido da ordem e da disciplina, da hierarquia e do senso do dever. Sua formação gregária deixou-o afastado diretamente das convulsões e tensões da vida civil. O Exército garantiu-lhe a habitação, o soldo e o trabalho, juntamente com a assistência à sua família. Ele adquiriu um conceito enraizado de moral, de culto às tradições, de zelo pela ordem social e pela estabilidade política. O poder político parece-lhe antes um dever de responsabilidade do que um fim em si mesmo. ("Recebi a Presidência da República como uma tarefa a cumprir", afirmou por duas vezes o General Garrastazu Medici. "Vejo o poder como um instrumento para servir", disse o Marechal Castelo Branco, em 1965.) E parece ter sido possuído desse espírito generalizado que o militar assumiu o poder político no Brasil nestes últimos seis anos.

O MILITAR NO PODER: O ESTILO DO NOVO ADMINISTRADOR

O exercício do poder pelos militares ainda é um capítulo novo da moderna História do Brasil. Como se comportam os militares na condução do governo? "A formação militar é tipicamente cartesiana: não tomamos nenhuma decisão sem antes estabelecer as coordenadas ortogonais", explica a VEJA o ministro da Educação, Jarbas Passarinho, cinqüenta anos, dos quais os últimos seis afastado do Exército, desde que foi eleito governador do Pará, em 1964. Oficial que brilhou nos cursos do Exército (tirou o primeiro lugar na sua turma da ECEME, em 1955), antigo superintendente da Petrobrás na Amazônia e diretor da extinta Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia durante o governo Jânio Quadros, Passarinho fixou sua filosofia frente à administração pública: "No Exército, quando se dá uma ordem, espera-se que o executante volte e comunique que a missão foi cumprida. No Ministério já organizei um serviço de cobrança da execução de ordens. Todas as semanas nós fazemos um balanço do cumprimento das ordens. Noutro dia, num despacho do Departamento de Administração, em que um funcionário era responsável pela inutilização de baterias, o Coronel Gontijo mandou que se descontasse do ordenado do responsável o valor equivalente. No Exército chega-se a dilatar o tempo de permanência de um militar na ativa para fazê-lo pagar, em prestações, os prejuízos causados. Quando saí do Ministério do Trabalho, elogiei, em portaria, os funcionários civis que colaboraram comigo. Foi um escândalo. Ora, na vida militar, o elogio e a notificação das faltas fazem o valor ou o demérito do soldado. Os funcionários civis, ao contrário, são uma ficha em branco que nada mais contém além do nome, identificação e títulos". O Ministro Passarinho, oficial de Artilharia que se tem destacado por sua habilidade no diálogo político nas duas áreas de maior dificuldade de comunicação dos governos revolucionários - trabalhadores e estudantes -, afirma não ter medo da presença no Ministério de um técnico de tendências esquerdistas, "desde que ele não se utilize da sua função para fazer proselitismo".

A DIFÍCIL ARTE - Em geral, os militares explicam mais facilmente do que os políticos a sua passagem pelo governo. Em declarações a Gilberto Pauletti, repórter de VEJA, o comandante do III Exército, General Breno Borges Fortes, assinalou: "Concordo em que muitos militares chamados a exercer cargos na administração pública têm desempenhado suas novas funções com grande sucesso, embora tratando de assuntos completamente estranhos à sua profissão específica. Creio que a estranheza que isso provoca é causada, muitas vezes, por não estarem bem informados sobre a formação e as atividades normais dos militares. Citemos algumas particularidades: em primeiro lugar, o militar tem uma formação universitária - o que lhe dá a indispensável visão de conjunto; em segundo lugar, mas não menos importante, sua função normal de comando nos diversos escalões permite que se exercite desde jovem na difícil arte de chefiar".

O General Breno Borges Fortes, ressalta, ainda, duas características da formação militar que facilitam a adaptação às novas funções: "Ao assumir qualquer nova função, nossa preocupação básica é saber o que se deseja, qual a finalidade a atingir, e procurar trabalhar exclusivamente para esse fim, sem outros desvios e preocupações. A interpretação correta da missão é isso. A disciplina intelectual significa trabalhar exatamente dentro da idéia decidida pelo chefe, embora, às vezes, não concordemos integralmente com a decisão tomada. Face a estas considerações, julgo que não deve causar admiração o sucesso obtido por militares em funções de administração pública".

A BOA MISTURA - Como age um militar na função pública? Ao chegar à Presidência da República, o Marechal Castelo Branco procurou cercar-se de assessores mais experientes na administração pública, tanto militares como civis. Um seu auxiliar direto ouviu do presidente como ele tomava as suas decisões: "O Dr. Roberto Campos me traz conhecimento - articulado, exato e profundo; o General Geisel (Ernesto, atual presidente da Petrobrás) me dá julgamento de valor, sempre tem uma opinião sobre os assuntos; o Golbery (então chefe do SNI) me dá o reverso da medalha, é sempre bom para crítica e informação; e o Dr. Luís Viana (atual governador da Bahia) me dá o estilo". Apesar de sua relativa inexperiência, Castelo Branco tornou-se "algo de inesperado em política", segundo explicou o ex-ministro Roberto Campos: "Como oficial de estafe, ele tinha uma aguda experiência de análise, um insuspeitado 'jeito' para o convívio político e uma extraordinária capacidade de localizar a veia jugular no corpo da ciência econômica".

Os instrumentos poderosos que a Revolução colocou nas mãos dos seus três governos contribuíram para facilitar a ação governamental, especialmente na área econômica. "Houve casos em que a firmeza do Presidente Castelo Branco em apoiar o saneamento financeiro foi importante", comenta Roberto Campos, enumerando as medidas impopulares adotadas em 1965, tais como o chamado "arrocho salarial", a substituição da estabilidade pelo Fundo de Garantia e a reforma agrária, "hostilizada por boa parte da liderança rural e da burguesia industrial, que haviam dado grande apoio à Revolução".

A FORÇA DA INDEPENDÊNCIA - Para o atual ministro da Fazenda, Delfim Netto, os militares estão capacitados a adotar soluções aos problemas nacionais, principalmente por serem desvinculados de grupos econômicos. "Que ministro da Fazenda poderia ter enfrentado os banqueiros, como ele fez, e continuar no cargo", observou um velho funcionário do Ministério da Fazenda. Segundo o ministro da Fazenda, os militares traçaram com nitidez e convicção as metas para um desenvolvimento com estabilidade externa e melhor distribuição de renda nacional. E os êxitos da política econômica desde 1964 - redução da inflação de 85% para os 18% esperados este ano, crescimento econômico de 7% ao ano, 760 milhões de dólares em reservas cambiais em 1969 - podem ser atribuídos à coerência e à firmeza com que os militares perseguiram aquelas metas econômico-sociais. Sem a centralização do poder praticada na URSS, os militares optaram por um modelo misto, que concilia a liberdade com a intervenção estatal nos setores de segurança nacional (telecomunicações, transportes, energia elétrica, etc.), ficando ainda nas mãos do Estado cerca de 70% dos depósitos bancários do país. Esse apoio da Revolução às medidas de recuperação financeira e contenção econômica se deu mesmo quando não havia unanimidade entre os militares sobre certas medidas. "No início, alguns setores militares ficaram preocupados com as medidas do governo, que não refletiam a tendência de desenvolvimento e, sim, de controle de inflação", diz o ex-ministro da Fazenda do governo Castelo Branco, Otávio Gouvêa de Bulhões.

A HERANÇA DA FORMAÇÃO - Depois de doze anos em cargos civis, o atual ministro do Interior, General Costa Cavalcanti, 52 anos, antigo secretário da Segurança de Pernambuco (onde combateu as Ligas Camponesas) e deputado federal, não se considera um militar na política, "mas um administrador com experiência política". Tido como um dos coronéis "linha dura" de 1964, oficial colocado em primeiro lugar na sua turma da ECEME, ele diz que os militares em funções executivas levam para os cargos a herança da formação militar, como a disciplina e o método cartesiano de trabalho, que consiste em colocar os problemas, examinar as alternativas possíveis e meios disponíveis, para só depois adotar uma decisão. Durante um dia inteiro, o chefe da sucursal de VEJA em Brasília, Luiz Gutemberg, acompanhou a rotina de trabalho do Ministro Costa Cavalcanti, constatando que os seus hábitos puramente militares (a disciplina nos horários, a formação de pequenas equipes, a cobrança das tarefas distribuídas e o poder de decisão final jamais delegado) continuam sendo os mesmos do ministro. Algumas idéias e posições políticas de Costa Cavalcanti: "Sou nacionalista, sim, mas sem aspas; eu não admitiria nunca ter entre os meus auxiliares um esquerdista; sou contra o barateamento do conceito de segurança nacional; não há dúvida de que a maioria do Exército deseja a democracia: mas que essa democracia plena venha progressivamente, que não avancemos três passos para recuar cinco".

O PONTO DE ATRITO - A presença dos militares no poder não significa, apenas, o contato com a administração pública. Ela inclui, também, a questão do relacionamento dos militares com a classe política, que, até 1964, detinha o maior controle do poder. É nesse plano que parece estar o maior ponto de atrito e de críticas. A origem do atrito parece ser a formação militar, baseada na disciplina e na hierarquia, que difere da liberalidade que cerca o Exército da atividade política. "Devido à nossa formação", diz o Coronel Rubens Resstel, 47 anos, veterano de campanha da Itália e atual comandante da guarnição militar de Campinas (SP), "procuramos projetar sobre o político nosso próprio código de ética e é por isso que não está havendo sintonia entre militares e civis." Para o novo presidente da Câmara, Deputado Geraldo Freire, a ascensão dos militares ao poder provocou, de fato, mudança no comportamento da classe política. E observa: "Mas os militares estão se conduzindo muito bem, embora os métodos empregados às vezes se choquem com os hábitos da classe política".

AS EXPRESSÕES DESCONHECIDAS - Por que os métodos chocam a classe política? A resposta pode estar mais no tipo de problema colocado pelos militares do que propriamente na sua forma de agir no governo. Até 1964, a opinião pública brasileira praticamente desconhecia certos temas que passaram a ser incorporados à linguagem dos três governos da Revolução: segurança nacional, planejamento estratégico, guerra revolucionária.. "Durante toda a sua formação", diz o General Rui de Paula Couto, 54 anos, chefe do Estado-Maior do III Exército, "os militares são alertados para os grandes problemas internacionais. Em razão disso, têm maiores facilidades para perceber as manobras sutis dos inimigos que procuram a dominação mundial." Segundo o General Paula Couto, essas manobras não seriam notadas pelas elites civis, o que obrigaria à intervenção dos militares - "uma intervenção absolutamente transitória".

UMA EXPERIÊNCIA INÉDITA - Sensíveis aos problemas do subdesenvolvimento por serem oriundos de camadas sociais pobres ou da classe média, formados dentro da disciplina e da hierarquia, e educados para cumprir missões, os militares praticam há seis anos uma experiência de governo inédita na história do país. A classe política dividiu-se e naufragou por suas próprias limitações e vícios. Para alguns setores, os militares representam uma intromissão estranha, que modifica radicalmente o livre jogo social, econômico e político; para outros, ao contrário, a intervenção dos militares é recebida como a última - e única - alternativa à preservação do regime. E para a grande maioria das próprias Forças Armadas, o exercício do poder é tarefa da qual pretendem se desembaraçar um dia, entregando-o novamente a uma classe política renovada nos seus costumes. Mas até chegar esse dia - o Presidente Médici manifestou a esperança de que possa surgir até o fim de seu governo -, os militares continuarão a exercer o poder político com o mesmo sentido de missão a cumprir que um jovem oficial cultiva, comandando uma companhia de fronteira, ou que um velho general aplica no último posto de comando.

 

MG > Levanta Brasil  - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (Parágrafo único Art. 1º)




7.9.09

Tropa de fome

Por Jorge Serrão

O alerta amarelo foi aceso para os radicalóides do Foro de São Paulo (balaio de gato que reúne os capimunistas na América Latrina e adjacências). O Itamaraty recebeu um recadinho do Departamento de Estado dos EUA. Seria bom que o chefão Stalinácio da Silva desse um pulinho em Washington, de emergência, no mês que vem. Barack Obama quer ter uma conversinha séria com “o cara”. Tema explosivo: Hugo Chávez Frias.

A turma da Hillary anda achando graça nenhuma de uma informação gravíssima. A Venezuela teria recebido da Rússia – fora dos acordos internacionais – um navio cheio de armamentos. O movimento armamentista do Chávez chamou a atenção dos EUA. O temor inicial – e previsível – é de um confronto, a qualquer momento, com a Colômbia – onde os norte-americanos têm efetivos e seriam obrigados a entrar, indiretamente, na confusão nada oportuna.

Em visita oficial ao Irã ontem, Hugo Chávez reforçou seu apoio ao programa nuclear iraniano e afirmou que não há provas de que Teerã esteja atrás de armas atômicas. Ao lado do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, Chávez ressaltou que a busca por novas formas de energia é um direito do povo do Irã. Chávez chamou o Irã de aliado estratégico e elogiou a posição firme de Ahmadinejad contra as "forças ocidentais" que teriam tentado desestabilizar seu governo após sua reeleição em junho. Os norte-americanos detestaram mais esta marketagem do eixo do mal.

Pressionado por seu núcleo monolítico de poder, Barack Obama espera que Stalinácio tenha uma conversa séria com o Chapolim Colorado. Pois vai ficar esperando. Marco Aurélio Garcia – que é o elemento de ligação do Foro de São Paulo - não tem a menor ascendência sobre Chavez. Muito pelo contrário, MAG apóia o radicalismo bolivariano. Os norte-americanos avaliam que Hugo Chavez saiu do controle em sua sede de poder. Em inglês bem claro, a turma da Águia comenta que “Chavez is crazy”. Em bom português, o chapolim vermelho aloprou!

Vida que segue, já que o assunto é “corrida armamentista”, cabe destacar o que vai acontecer, em Brasília, neste feriado de 7 de setembro. Sem Carla Bruni – um belo desfalque de marketing -, o presidente francês Nicolas Sarkozy participará da parada militar, na Ilha da Fantasia. No nosso “Jour de la dépendance”, o francês vem com 400 empresários franceses, a tiracolo, para assinar grandes contratos com os brasileiros. Na terça-feira, todos participam do Fórum Sustentabilidade.

O primeiro grande negócio será a construção de nosso projeto de submarino nuclear. O Senado aprovou semana passada, na correria, a autorização para o Brasil se endividar e investir R$ 20 bilhões na compra de cinco submarinos franceses Scorpène. O Brasil vai pegar emprestado, e pagar ao longo de 20 anos, um financiamento de 5 bilhões de Euros. A grana será liberada por um consórcio liderado pelo BNP Paribas.

O pacotinho bélico dos submarinos interessa diretamente ao consórcio formado pela empresa francesa DCNS e pela baiana Odebrecht – hoje o grupo mais influente e poderoso do Brasil. O pacotão é de 6,8 bilhões de Euros. Pelo menos 1,9 milhões de Euros serão aplicados na construção do estaleiro e da base naval em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Outros 4,9 bilhões de Euros serão investidos em quatro submarinos convencionais, e no sofisticado casco duplo do nosso futuro submarino nuclear. No pacote, inclui-se a prometida transferência de tecnologia.

Mas a investida francesa é mais ambiciosa. A turma do Sarkozy quer fechar logo um outro contratinho de R$ 5 bilhões para que o Brasil compre de 50 helocópteros EC-725 Super Cougar (na parceria entre a Eurocopter e a Helibras). A Dassault Aviation também espera vencer a concorrência para vender 32 jatos Rafale pra a nossa FAB pela bagatela de R$ 2,1 bilhões – incluindo a prometida transferência de tecnologia. Os franceses também têm olho gordo no prometido trem-bala Rio-São Paulo-Campinas, obrinha no valor inicial de R$ 34 bilhões – que tem tudo para ficar mais cara, se realmente sair do papel.

Enquanto alguns segmentos das Forças Armadas brasileiras comemoram tantos investimentos, outros sobrevivem na pinimba, passando a pirão de areia. Conforme o Alerta Total lamentavelmente revelou sexta-feira passada, o Exército foi obrigado a paralisar as atividades, por um dia, por falta de dinheiro para o rancho. Releia: Tropa de Fome: Exército paralisa unidades uma vez por semana, até o fim do ano, por falta de verbas para comida.

Segunda-feira os famélicos verde-oliva (porque as tropas ainda têm orgulho do Brasil e alimentam o compromisso simbólico de defender a Pátria) estarão desfilando diante do chefão-em-comando Stalinácio e do negociante francês especialmente convidado para a parada do “Jour de la dépendance”. Tudo ajeitadinho pelo Ministério da Defesa – que resolveu defender, via marketagem, seu genérico comandante Nelson Jobim – que tira o time assim que fechar os contratos para a “modernização” das nossas Forças Armadas – mal amadas pela turma do Foro de São Paulo, que prefere “exércitos de libertação nacional”.

Felizmente, nossos bravos militares já sabem que ainda temos muito de lutar pela nossa verdadeira independência – cada dia mais inviabilizada pelos entreguistas e traidores da Pátria que trabalham a favor da Nova Ordem Mundial – globalitária e capimunista. Temos o dever moral de projetar e trabalhar por um Brasil soberano – que seja uma grande potência mundial capaz de promover o equilíbrio das relações mundiais. Quem ama o Brasil de verdade já reage como pode!
do:alertatotal.blogspot.com


MG > Levanta Brasil  - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (Parágrafo único Art. 1º)




6.9.09

Matéria do Jornal do Brasil

Caros amigos,

Analisando a materia abaixo, "A explosiva descoberta brasileira", disponibilizada no "site" do JB hoje à tarde e publicada na edição impressa deste domingo, podemos formular quatro cenários alternativos, sobre as razões que motivaram sua publicação. As hipóteses, todas supondo que a iniciativa tenha partido do próprio governo (ou de parte dele), são as seguintes:

1) Tentativa de esvaziar uma possível candidatura à presidência da República do senador Christovam Buarque, tendo como vice o general Heleno (ambos bem cotados em enquetes informais em vários pontos do território nacional). O Gen Heleno é o Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército;

2) Tentativa de aumentar as chances da candidatura do Brasil a membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, demonstrando que o País detêm o conhecimento necessário para fazer a bomba nuclear e só não vai adiante porque não quer. No Conselho não tem oportunidade países eunucos que siquer se garante;

3) Tentativa de atrapalhar ou fazer malograr o acordo de cooperação com a França, para construção de submarinos convencionais no País e desenvolvimento do projeto do casco do futuro submarino nuclear brasileiro (com reator desenvolvido no Brasil, sem ajuda externa); e

4) Forma indireta de dissuasão, caso o petróleo localizado na camada do pré-sal da Plataforma Continental brasileira (além das riquezas da Amazonia) desperte a cobiça estrangeira, a pondo de resultar em alguma tentativa de intervenção para apossar-se das reservas.

Um abraço.
Saudações patrióticas.
__________________________________________ 

Sábado, 5 de Setembro de 2009
Assunto: Matéria do Jornal do Brasil

A explosiva descoberta brasileira

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Uma revolucionária tese de doutorado produzida no Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército – Simulação numérica de detonações termonucleares em meios Híbridos de fissão-fusão implodidos pela radiação – pelo físico Dalton Ellery Girão Barroso confirma que o Brasil já tem conhecimento e tecnologia para, se quiser, desenvolver a bomba atômica.

– Não precisa fazer a bomba. Basta mostrar que sabe – diz o físico.

Mantida atualmente sob sigilo no IME, a pesquisa foi publicada num livro e sua divulgação provocou um estrondoso choque entre o governo brasileiro e a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), responsável pela fiscalização de artefatos nucleares no mundo inteiro. O pesquisador desenvolveu cálculos e equações que permitiram interpretar os modelos físicos e matemáticos de uma ogiva nuclear americana, a W-87, cujas informações eram cobertas de sigilo, mas vazaram acidentalmente.

Barroso publicou o grosso dos resultados da tese no livro A Física dos explosivos nucleares (Editora Livraria da Física, 439 páginas), despertando a reação da AIEA e, como subproduto, um conflito de posições entre os ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Celso Amorim, das Relações Exteriores. A crise vinha sendo mantida em segredo pelo governo e pela diplomacia brasileira.

A AIEA chegou a levantar a hipótese de que os dados revelados no livro eram secretos e só poderiam ter sido desenvolvidos em experimentos de laboratório, deixando transparecer outra suspeita que, se fosse verdade, seria mais inquietante: o Brasil estaria avançando suas pesquisas em direção à bomba atômica.

A AIEA também usou como pretexto um velho argumento das superpotências: a divulgação de equações e fórmulas secretas, restritas aos países que desenvolvem artefatos para aumentar os arsenais nucleares, poderia servir ao terrorismo internacional. Os argumentos e a intromissão da AIEA nas atividades acadêmicas de uma entidade subordinada ao Exército geraram forte insatisfação da área militar e o assunto acabou sendo levado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.

No final de abril, depois de fazer uma palestra sobre estratégia de defesa no Instituto Rio Branco, no Rio, Jobim ouviu as ponderações do ministro Santiago Irazabal Mourão, chefe da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do MRE, numa conversa assistida pelos embaixadores Roberto Jaguaribe e Marcos Vinicius Pinta Gama. A crise estava em ebulição.

Jobim deixou o local com o texto de um documento sigiloso entitulado Programa Nuclear Brasileiro – Caso Dalton, entregue pelo próprio Mourão. Mandou seus assessores militares apurarem e, no final, rechaçou as suspeitas levantadas, vetou o acesso da AIEA à pesquisa e saiu em defesa do pesquisador.

Num documento com o carimbo de secreto, chamado de Aviso 325, ao qual o Jornal do Brasil teve acesso, encaminhado a Celso Amorim no final de maio, Jobim dispara contra a entidade. “A simples possibilidade de publicação da obra no Brasil e sua livre circulação são evidência eloquente da inexistência de programa nuclear não autorizado no país, o que, se fosse verdade, implicaria em medidas incontornáveis de segurança e sigilo” criticou o ministro no documento.

Diplomacia

Amorim teria assumido uma posição dúbia, tentando contornar a crise sugerindo que o pleito da AIEA fosse atendido, pelo menos em parte, como convém sempre à diplomacia. A entidade queria que o livro fosse recolhido e exigiu dados mais detalhados sobre o método e as técnicas utilizadas pelo físico brasileiro. Insistia que o conteúdo do livro era material sigiloso. Jobim bateu o pé e, em nome da soberania e da clara opção brasileira de não se envolver na construção de arsenais nucleares – explicitada na Constituição – descartou qualquer interferência no setor.

Situado na Praia Vermelha, o IME é um órgão de pesquisa básica, com curso de pós-graduação e extensão universitárias para civis e militares, subordinado ao Comando do Exército. O ministro citou a banca examinadora do IME, formada por seis PhDs em física, entre eles o orientador de Barroso, Ronaldo Glicério Cabral, para garantir que a tese é trabalho teórico e sem vínculo com qualquer experiência realizada no Brasil. Jobim citou o respeito a tratados para afirmar que o Brasil tem credibilidade para pesquisar “à margem de suspeições de qualquer origem”.

Jobim enfatizou ainda que o recolhimento compulsório do livro, como queria a AIEA, implicaria em grave lesão ao direito subjetivo protegido pela Constituição. Em outras palavras, seria uma censura a uma obra acadêmica com a chancela do governo Lula. E ainda criticou a entidade que, segundo ele, não justificou os comentários sobre a obra e nem apresentou base científica para amparar o questionamento.

A crise é uma ferida ainda não cicatrizada. Jobim não quis dar entrevista sobre o assunto, mas confirmou que encaminhou o documento ao Ministério das Relações Exteriores, responsável pelas conversações diplomáticas com entidades como a AIEA. Procurado pelo JB, Amorim não retornou. O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) – o órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia responsável pelo apoio aos inspetores da AIEA – Odair Dias Gonçalves, também não quis falar.


MG > IMPUNIDADE! Vergonha Nacional




Comentário da semana nº 49 – 06 de setembro de 2009



                                                             Assuntos:  Força e Coragem,  Pré Sal e Marina

A Ameaça velada

Nas relações internacionais, o poder do mais forte é aplicado sempre que estão em jogo interesses importantes ou vitais. Se a opção militar for necessária para resolver um conflito, uma potência empregará as Forças Armadas desde que o oponente não tenha capacidade de dissuasão. Assim fizeram todos; os EUA a Inglaterra, a Alemanha, e Rússia na Europa, na Ásia, na África e na América, e assim farão na Amazônia se lhes interessar, pois as Forças Armadas brasileiras estão incapacitadas para resistir à intervenção militar de potências, em face do absoluto e indesculpável desprezo de sucessivos governos pela defesa nacional.


As sociedades que atingiram um elevado nível de vida consomem quantidade de recursos naturais, que não podem prover a partir dos próprios territórios. Pode ser vital para elas, garantir o acesso ou negá-lo a seus rivais e, para isso, projetam poder político-militar para controlar  áreas detentoras de tais recursos e regiões de alto valor geopolítico.


Na Amazônia, talvez a principal dessas áreas, aplicam uma estratégia velada para impor-nos a soberania compartilhada na região. Tem tido êxito; nosso governo se dobra negociando soberania por interesses sem ver ameaça na demarcação de terras indígenas na fronteira, financiadas por potências alienígenas, inclusive os EUA. A segregação, imposta pela Funai, impedirá que populações indígenas se sentam brasileiras por não estarem integradas à Nação. Esta é a herança maldita que nos passam a Funai e suas ONGs, muitas delas lideradas pelo marido da Marina Silva, e inexplicavelmente aceito por um presidente que se diz nacionalista.


 

Força e Coragem

Não se entende o nosso comportamento covarde diante das injustas ofensas e agressões, contra o patrimônio do povo brasileiro, e menos ainda diante dos maus tratos que os brasileiros vêem recebendo em outro países. Seria por debilidade militar? Em parte, certamente, mas nos preparando militarmente dissuadiremos muitos dos que contrariem nossos justos interesses. Lamentavelmente, além de não nos armarmos, passamos como a que pedir desculpas por nossa força industrial e pelo enorme "pecado" de expandirmos nossas empresas para os países vizinhos, fazendo assim papel de um País fraco e indeciso. Já dizia Maquiavel:´ "Entre outros males, estar desarmado significa ser despreza do"


Como ser respeitados se entregamos nossas riquezas minerais sob a fachada de reservas indígenas e cedemos às mais descabidas exigências de qualquer ambicioso? Desarmaram-se nossos homens de bem e os aconselhamos a nunca resistir aos bandidos? Os outros diante disso, riem da assinatura por nossos diplomatas na ONU, do tratado apoiando a formação de "nações indígenas" dentro do próprio Brasil. Como respeitar um País que faz isso contra si próprio? E ainda foi o único a fazê-lo! Quem respeitaria uma potência que abre mão de produzir armamentos de grande poder dissuasório, para sua própria defesa?


O Brasil é o único dos BRIC que abriu mão de armas nucleares e de mísseis de largo alcance; e, sendo assim, é o único indefeso de fato, e passível de ser invadido desse grupo apesar de ser o de  maior potencial do planeta.


Por falta de disposição de ir até a guerra se necessário, e atrairemos toda a sorte de desgraças. Até agora tivemos soberania fictícia, aceita e as vezes mantida por outros enquanto fosse do interesse deles.


Agora temos o pré sal. Algum produtor de petróleo garantiu a paz sem ceder tudo? Só tendo coragem e força para dissuadir. Falta-nos a força. A força se monta. Falta mais ainda coragem ao governo. Coragem é do tamanho que a gente quer.


Xenofonte no livro "Ciropédia" transcreve as palavras do jovem príncipe Ciro, da Pérsia ao seu tio, o rico rei da Média: "Se mostras força e não tens riquezas, te deixarão em paz. Quando muito procurarão a tua aliança; Se tens riquezas, mas mostras ser forte, ainda assim te respeitarão, mas cuidado para não enfraqueceres, porque se tens riquezas e não tens força para as defender atrairás todas as ambições quer dos inimigos quer dos antigos aliados"


 

Pré Sal

Ainda existem riscos de algo não dar certo no pré sal, mas apostando que dará, o anunciado novo marco regulatório para a exploração representa "uma virada nacionalista" para o Brasil, que pode nos transformar em uma grande potência mundial de energia.

Não ficará barato; as empresas estrangeiras confinadas a papéis secundários, esperneiam, e no primeiro mundo os governos protegem suas empresas como protegem suas Forças Armadas. Os lobistas das multinacionais, jogaram forte contra às mudanças na legislação do petróleo. A estratégia é clara: ganhar tempo e eleger candidatos que aceitem seus propósitos. Alardeiam vantagens do regime de concessões implementado por FHC, que forçou a Petrobras a admitir associação com outras empresas, notadamente estrangeiras, em infame manobra desnacionalizante

A imprensa estrangeira já comenta que para superar os desafios dos novos campos, a quilômetros sob uma camada de rocha e sal, o país precisará de ajuda, mas "poderá não atrair a colaboração a menos que ofereça aos parceiros termos mais lucrativos". Lembram ainda que "alguns observadores questionam a suposição de que a extração do petróleo é certa". Na verdade as multinacionais não trouxeram contribuições importantes, muito menos na área tecnológica

O espernear das firmas prejudicadas já seria esperado, mas no País, também a parte burra da oposição também cria obstáculos a uma das poucas coisas boas que o governo faz, inclusive reclamando do prejuízo ao meio ambiente. Com isto só conseguem jogar os eleitores nos braços do Governo, por mostrarem que são ainda piores.

No atual, regime de concessão, o Brasil recebe, hoje, menos da metade das vantagens que recebem os países exportadores mundiais, onde a média é 84%. Concessão, só nos EUA, mas lá as empresas são todas norte-americanas ou no máximo anglo-americanas. Aqui seriam empresas estrangeiras, casualmente do mesmo dono das de lá. Respeite-se os contratos já estabelecidos, mas não o estendamos ao pré sal .

O presidente está certo no novo marco regulatório. Pessoalmente o desprezamos por sua fraqueza ante as exigências descabidas dos países vizinhos, e junto com as gerações vindoras, o amaldiçoaremos se o nosso País se dividir em nações étnicas por culpa dele, mas no caso do petróleo, goste-se ou não dele, é nossa obrigação  apoiar.

A propaganda verde aponta certa ex ministra como a incorruptível. Aquela que prefere perder o pescoço a  perder o juízo. "Só" agora o PT parece perceber as falcatruas dela; a  imprensa já está anunciando as doações feitas a seu marido Fábio Vaz de Lima, líder de um pool de ONGs chamado GTA, e as irregularidades que praticava. Os órgãos de inteligência já sabiam disto há muito tempo, em conseqüência o governo deveria saber.

- A propósito, aparece a sigla "GTA nas fotos da "santa" Dorothy ", aquela freira que não cuidava da religião, mas promovia conflitos rurais. Qual seria a ligação entre a evangélica Marina e freira pseudo-católica?


                                                                          Que Deus guarde a todos vocês

                                              Gelio Fregapani

                                          APÊNDICE

                                                   TRÓIAS INDÍGENAS

Pelo General Luiz Eduardo Rocha Paiva


A decisão do STF sobre a Raposa Serra do Sol manteve a demarcação em terras contínuas. Perdeu-se a oportunidade de corrigir a sucessão de equívocos que, há duas décadas, vão consumando a perda de soberania e integridade territorial na Amazônia. Uma mudança de rumo levaria ao questionamento interno de várias demarcações e, por isso, a pressões extern as sobre um País intimidado diante de reações internacionais que prejudiquem interesses menores, principalmente no campo comercial. Um País que ignora ou despreza as lições da história sobre as relações de poder entre nações e, assim, arrisca irresponsavelmente a segurança de futuras gerações a quem caberá pagar a conta. A Amazônia não é uma questão de direito, mas sim do jogo internacional de poder, onde a
estratégia do mais forte molda o direito de acordo com o seu interesse. O que explica a visita do Príncipe Charles ao Brasil às vésperas da decisão do STF? Veio dar um recado!

As ressalvas impostas pelo STF, algumas já existentes na legislação, não eliminam a ameaça. Existem fatos consumados! Há imensas terras indígenas (TIs), nas fronteiras, onde o Estado cedeu sua autoridade a ONGs e outras organizações, muitas sem compromisso com o Brasil, e que representam potência s por quem são sustentadas. Tais organizações não consideram os indígenas cidadãos brasileiros e querem sua reunião em nações autônomas. O Brasil, inexplicavelmente, votou a favor da Declaração de Direitos dos Povos Indígenas,que inclui o direito à
autodeterminação, a vetar operações militares, a estabelecer instituições políticas, econômicas e jurídicas e a aceitar ou não medidas administrativas do governo nas TIs. É uma autonomia superior à dos estados da Federação e o artigo 42 da Declaração permite respaldar a intervenção internacional para impor os termos do documento. É a balcanização do País!

As potências ocidentais, desde o início dos anos 90, aplicam contra o Brasil uma estratégia tácita e velada para impor-nos a soberania compartilhada na Amazônia. São ações sucessivas exitosas, pois a Nação a
elas se dobra voluntariamente, tornando efetiva e interna uma ameaça antes latente e distante. Ressalvas não revertem fatos consumados! Os conflitos nos Bálcãs, no Oriente Médio e na Ásia Central e a destruição
da Sérvia pela OTAN são provas cabais para quem não vê a Amazônia como alvo. Nas relações internacionais, vale o direito da força e não a força do direito. A Resolução da ONU autorizando a intervenção da OTAN no Kosovo tinha como ressalva manter a integridade territorial da Sérvia. Hoje, o Kosovo é independente.

As sociedades das potências ocidentais atingiram um elevado nível de vida e consomem imensa quantidade de recursos, que seus países não podem prover a partir dos próprios territórios ou precisam tê-los como reserva
estratégica. É interesse vital garantir o acesso privilegiado a matérias primas e, assim, projetam poder político-militar sobre áreas detentoras de tais recursos. Precisam, portanto, manter o status de potências dominantes para controlar regiões de alto valor geopolítico ou negá-las a seus oponentes.

Eis o cenário de crise, que se está desenhando há duas décadas:

"Os recursos da Amazônia brasileira e sua posição geopolítica são vitais para as grandes potências – EUA, Grã-Bretanha, França e outras – contra quem o Brasil não tem capacidade de dissuasão. Não lhes interessa surgir
um poder competidor, que controle a região e usufrua soberanamente de seus recursos.

Prossegue, em âmbito mundial, a campanha que acusa o Brasil de não ter condições de gerir a Amazônia, preservar o meio ambiente, proteger as populações indígenas e coibir o tráfico de drogas e outros delitos transnacionais.

Advoga-se a ingerência internacional para assegurar o desenvolvimento sustentável da região e o aproveitamento de suas riquezas 'pela comunidade de nações'; deter a destruição da floresta, que alegam ser uma das causas principais do aquecimento global; e, ainda, proteger os 'povos indígenas'.

A autoridade brasileira na região está bastante comprometida e é contestada internacionalmente. No futuro, grandes populações indígenas desnacionalizadas e submetidas às ONGs internacionais vão requerer a autodeterminação de TIs e a proteção da ONU. Estas condições objetivas e outras servirão como pretexto para uma resolução da ONU ou uma declaração de potências coligadas, impondo a soberania compartilhada na região, sem a necessidade do uso da força ante um País que perdeu a vocação de grandeza.

Porém, se um novo Brasil reagir, a campanha será intensificada nos campos político (pressão), psicossocial (propaganda adversa e guerra psicológica), econômico (embargo) e científico-tecnológico (boicote), aplicando- se a estratégia indireta para evitar o custo de uma operação
militar.

Se, ainda assim, o País resistisse sofreria a escalada da estratégia indireta, a que se somariam ameaças de ocupação, bloqueio e danos em áreas sensíveis da infraestrutura nacional com emprego do poder militar não, necessariamente, na Amazônia (estratégia direta)".

A soberania compartilhada será exercida pela imposição de diretrizes e pelo uso privilegiado dos recursos da região, deixando-nos o ônus da administração sob fiscalização estrangeira.

Não implica a conquista militar de toda a região, basta controlar um ponto forte para usar como moeda de troca. A ameaça principal está na calha norte do rio Amazonas, pois é mais exposta a ações militares estrangeiras que a fronteira a oeste e ao sul da Amazônia. Ao norte estão as guianas, prováveis cabeças de ponte de potências da OTAN como a Grã-Bretanha, França e Holanda, com quem mantêm laços históricos, e os EUA.

A política indigenista segregacionista transformou terras indígenas em tróias indígenas e as potências nos deram os cavalos – as ONGs – um autêntico "presente de grego". Em Tróia houve ingenuidade, mas no Brasil há, também, miopia, conivência ou omissão de toda Nação. O final desse filme é conhecido!  

                     
MG >
IMPUNIDADE! Vergonha Nacional